/ SOUTOSA
“Eu sou um artista rude, filho da minha serra. Nasce-se com o berço às costas, como uma geba. A Beira Alta não tem símile no mundo. Em poucas dezenas de quilómetros, reproduz-se a terra toda: amenidade e braveza, a colina e o vale, a civilização e a selvajaria. À volta da aldeia em que ergui a minha barraca, no Inverno uivam os lobos ao desafio com o vento.”
AQUILINO RIBEIRO, IN Aldeia. Terra, gentes e bichos.
Aquilino Ribeiro
Igreja
Antiga Escola Primária
Fonte
HISTÓRIA
Sobranceira à serra, Soutosa é detentora de uma extraordinária beleza, cujas origens parecem esconder-se no lugar de Covais onde se encontraram vestígios de uma quinta tardo-romana.
A Idade Média deixou em Soutosa uma magnífica necrópole em Casal dos Moiros, com inúmeras sepulturas escavadas na rocha, que poderão datar do século XI/XII.
Em termos culturais, Soutosa encontra-se intimamente ligada a Aquilino Ribeiro, que retratou fielmente o seu património natural e cultural, imortalizando para sempre esta povoação na literatura portuguesa.Na propriedade onde viveu e escreveu o ilustre escritor, hoje pertença da Fundação Aquilino Ribeiro, encontra-se instalada a Casa-Museu, classificada como Imóvel de Interesse Público.
Em consequência das várias reorganizações territoriais, Soutosa integrou os domínios do Couto de Leomil e foi sede do concelho de Pera e Peva até 1834, ano em que passou a integrar o concelho de Moimenta da Beira.
A sede do concelho de Pêra e Peva foi, desde sempre, ponto de discórdia, uma vez que ambas as localidades queriam ser elevadas a vila.
Para apaziguar os ânimos, Soutosa, por se localizar no centro geográfico do referido território, foi elevada a sede de concelho. Assim, estavam aqui sediados juízes ordinários, vereadores e os restantes oficiais concelhios e ainda duas companhias de ordenança. Os símbolos do poder local como a Casa da Câmara, a Casa da Cadeia, a Casa da Roda e o Pelourinho, ao deixarem de ter função foram-se perdendo com o tempo.
Da arquitetura religiosa e civil sobressai a capela de Nosso Senhor da Aflição; a capela de São João Baptista; o cruzeiro; o memorial a Aquilino Ribeiro; os vários açudes e moinhos junto ao Paiva; a ponte de Vale de Joaninho, a Ponte do “Cando” e a ainda a “Ponte Pedrinha”.
FUNDAÇÃO
AQUILINO
RIBEIRO
A nobre casa de Aquilino Ribeiro, em Soutosa, datada do séc. XIX, dá lugar à Fundação Aquilino Ribeiro (FAR), instituição de utilidade pública sem fins lucrativos. A casa senhorial, como muitos lhe chamam, tem como objetivo promover a vida e obras literárias de Aquilino Gomes Ribeiro e preservar as memórias do escritor, valorizando os bens culturais e promoção da sua obra com objetivos científicos, educativos e lúdicos.
Aquilino, nasceu em 1885 na freguesia de Carregal, Sernancelhe, mas foi em Soutosa, concelho de Moimenta da Beira, que o escritor passou parte da sua infância. Mudou-se para a aldeia juntamente com os seus pais, aos dez anos de idade.
Após a morte de seu pai, Aquilino herda, em 1918, a exímia casa de Soutosa que aparece sempre como refúgio na vida crucial do escritor.
A sua cronologia é extensa, o mestre passou e viveu em diferentes lugares, colocando-se em fuga diversas vezes, combatendo sempre as ditaduras. No entanto, nunca deixou para trás a escrita onde a palavra liberdade era fulcral em todos os seus romances. De linguagem provinciana e de cariz prosador do séc. XX, e através de uma escrita original, Aquilino afirmava com persistência que “alcança quem não cansa”, uma das frases mais conhecidas do autor. A Casa Museu presenteia-nos com centenas de objetos pessoais do escritor, como livros, postais e fotografias. Sem esquecer, o extenso jardim, a Biblioteca de Aquilino e a Casa do Aldeão.
A FAR é o local ideal para conhecer e compreender o mundo retratado pelo mestre Aquilino, talvez divagar e entender os porquês da sua luta e persistência pela igualdade e liberdade.
o penedo
de aquilino
Coordenadas GPS: 40.88395, -7.656653